O que é mais importante: a mensagem ou o mensageiro?

Coisa comum nos dias de hoje é abrir alguma rede social e se deparar com uma frase filosófica bonita, não é mesmo? seguida da assinatura de algum autor que, carregada de grande carga de respeitabilidade, vem validar a frase.

Frases como essas são aquelas que causam enorme impacto e sensação de epifania no leitor, como se o indivíduo antes da leitura fosse imediatamente obliterado e um novo surgisse em seu lugar com a mesma aparência e nome… ou assim o autor da frase talvez tenha premeditado.

Em realidade, porém, parece-me que a “epidemia filosófica” é só um polimento da onda de autoajuda de anos atrás, que diante de uma pandemia global, isolamento social e a convivência compulsória do indivíduo consigo mesmo e sem os escapismos que eram praxe encontrou terreno fértil para florescer, e floresceu tal qual erva daninha vindo se tornar a nova muleta emocional daquelas que não tem mais para onde fugir.

O hábito de afastar de nossas mentes aquilo que nos desagrada em nós mesmos tornou-se muito mais evidente nos últimos anos e agora o fazemos percebendo enquanto o fazemos, e a única alternativa agora é a hipocrisia de fingir ignorância, já que não podemos “desver” o que é visto.

A esse ponto da leitura você já deve estar curioso sobre o título da postagem. Pois bem… deixe-me jogar alguma “luz” agora que estabelecemos algum contexto (com as devidas dosagens de acidez).

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“A importância daquilo que é dito tornou-se assustadoramente menor do que a importância de quem é que diz.”

A verdade é que temos medo da liberdade que afirmamos desejar, pois não queremos a responsabilidade dessa liberdade. Isso nos tornou dependentes de terceiros, portanto: todas essas frases bonitas, independente do valor ou veracidade que carregam, tem menos valor que o pensador que a criou.

Idolatramos o mensageiro e interpretamos a mensagem de acordo com os nossos próprios valores distorcidos pela autoindulgência compulsiva. Transformamos qualquer valor ou sabedoria em instrumento de validação dos nossos vícios, vilanias e perversões.

Seguimos vivendo de segunda mão. Apontamos o dedo embora jamais para nós mesmos, onanistas egocêntricos e vaidosos incapazes de assumir as rédeas da própria vida. Ainda há tempo de abrir os olhos! Ainda temos a oportunidade de dar ouvidos ao indivíduo que retornou à caverna de Platão para chamar as sombras nas paredes de ilusões.

Boas Festas.

By Kuro

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